Já assisti muitas aulas de matemática. “É claro”, vocês vão pensar, “eu também.” Mas, a não ser que vocês tenham tido a coragem de cursar matemática, eu já fui à mais aulas que vocês.
Minhas mãe é professora de matemática e eu era aquela criança que aluns professores levam para atrapalhar a aula. Eu ficava bem na minha, tentava não chamar muita atenção (coisa natural para uma tímida). Sentava na mesa do professor e desenhava ou escrevia cartinhas para a minha mãe. Não virei desenhista, mas continuei escrevendo.
Na época em que eu garantia a minha mãe que eu não iria fugir (esse era o conteúdo de uma cartinha que ficou para a história), quando tinhas meus 5 anos, olhava para a turma de oitava série da minha mãe com muita admiração. “Quando eu chegar nessa série, serei bem grande.”
De fato, cresci. Mas ao chegar à oitava série, descobri que ser grande na oitava série não significava nada. Meu próximo sonho era me mudar para o Rio e começar a faculdade. Isso sim, significaria uma mudança enorme. Era verdade. Mas o meu jeito calmo de ser não mudou. Continuo com um círculo pequeno de amigos e poucas noitadas. Sair de casa e começar a faculdade só reafirmou a minha personalidade.
Quem sabe quando eu começar a trabalhar eu realmente me sinta adulta, “grande” nos padrões de uma menina de 5 anos. Quem sabe eu mude.
Dentro de poucos dia começo o meu primeiro estágio. A menina de cinco anos está ansiosa.
